O Centro Internacional de Inovação (C2i), do Sistema Fiep, realizou nesta quarta-feira (01) mais um Diálogo & Inovação, reunindo empresários e pesquisadores paranaenses para discutir as oportunidades e benefícios de investimento em PD&I para competitividade no setor industrial. O convidado deste encontro foi o coordenador do Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Cavalcanti.
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Com um tema tão polêmico quanto a sua visão sobre os investimentos voltados à inovação no Brasil, Cavalcanti abriu sua apresentação com a pergunta: "Porque, no Brasil, a inovação não está em primeiro plano?". Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), feita com 72 mil empresas, apenas 1,7% das indústrias brasileiras investem em PD&I. Apesar deste percentual ser baixo, a mesma pesquisa mostra que estas empresas são responsáveis por 25% do faturamento industrial, e por 13,2% do emprego gerado no setor. "Esses números deixam claro que quem investe em inovação fatura mais, paga maiores salários, tem vantagens competitivas e mais facilidade na hora de exportar", ressalta Cavalcanti.
Outro dado alarmante levantado pelo especialista demonstra a falta de interesse político para o desenvolvimento do conhecimento no Brasil. Segundo Cavalcanti, países como os EUA, inverteram o cenário de exportação nos últimos 15 anos, deixando de mandar para fora produtos tangíveis (matéria-prima) e passando a exportar produtos intangíveis (conhecimento). "Mais de 50% das riquezas do mundo não vêm da matéria-prima, vem do conhecimento. E aqui no Brasil nós ainda vivemos no modelo econômico antigo e ultrapassado. Nossa riqueza ainda provém da terra, do capital e do trabalho", alerta Cavalcanti, que ainda completa questionando o futuro do Brasil na sociedade do conhecimento: "O que nós queremos ser? Exportador de commodities e importador de produtos intensivos em conhecimento ou produtor de serviços e produtos de alto valor agregado?"
Onde o Brasil pode inovar
Marcos Cavalcanti também apresentou os setores onde estão concentradas as maiores oportunidades para a inovação e o desenvolvimento industrial do país. Segundo ele, o Brasil tem grande potencial nos setores de Biotecnologia (agronegócios, saúde, cosméticos entre outros); energia (renováveis e alternativas); cultura, entretenimento e turismo; tecnologia (software); e aeroespacial.
Mitos - Cavalcanti afirma que a culpa do comportamento brasileiro frente à inovação está ligada há alguns mitos. Um deles é o complexo de inferioridade que carregamos como herança de país subdesenvolvido. "Precisamos deixar de pensar que a sociedade do conhecimento não é para nós. Na década de 1980, a Coréia não estava nem entre os 50 maiores PIB do mundo. Hoje eles disputam a 13ª posição com o Brasil. Que riqueza natural eles têm? Nenhuma. Eles investem em conhecimento, em capital humano", destaca.
Além da herança de inferioridade que carregamos, o especialista ainda afirmou que o Brasil não vai tão bem assim como os discursos políticos relatam. "Nós só estamos no rumo certo se compararmos o Brasil com o próprio Brasil. Se compararmos com qualquer outra nação emergente, nós estamos patinando. Um relatório da ONU de 2009 mostra que nós temos o terceiro pior índice de desigualdade do mundo".
Apesar do tom provocativo e do cenário alarmante apresentado, Cavalcanti destacou a Iniciativa do C2i no incentivo e apoio a cultura do conhecimento em inovação. "Eu saio daqui mais esperançoso por tudo que pude ver. A Fiep está de parabéns pela criação de um centro que faz a ponte entre o conhecimento e a indústria", finaliza.
O Diálogo & Inovação é realizado todos os meses, e tem o objetivo de reunir empresários e pesquisadores paranaenses para discutir com especialistas nacionais e internacionais, as oportunidades e desafios da inovação para o setor industrial. Para saber mais sobre os próximos encontros, acesse www.c2i.org.br e acompanhe as novidades pelo twitter @C2i_Inova.
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